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Not quite sun, not quite the moon



Segunda-feira, 10.03.14

A Fénix e o Obituário

 [Fotografia de TR]

Não nasci onde queria, em casa. A mãe chamou o Zé da carrinha, ou foi o pai, nem sei. Meteram-se no carro e deram oitenta à hora, grande velocidade nas estradas daquela época. Estava frio, e ela levava uma camisa de dormir turca, que guarda até hoje. Não gritou, pariu-me, e eu passei a estar aqui. É tramado.
Aos sete anos, o meu pai partiu para outro país. Fiquei, como ficou ela, então já de separação escrita e — para mim — sempre tinha sido assim. Não me recordo da casa. É tramado.
Na semana passada, a minha mãe partiu para outro país. Fiquei, como antes, aqui, o único sítio em que me conheço; aqui, onde não há casa; aqui, onde a comiseração enche dias e haverá, um dia, um lugar onde queira nascer.
Nem sempre se pode escolher. Chama-se a isto, meus queridos aduladores de manchetes e sound bites, crescer.

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por T.


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por Tânia Raposo


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