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É raro, muito raro uma mulher desapaixonar-se, e esse processo é pragmático na raiz, é um exercício de matemática, auto-inflige-se. Desamar, desamar é outra coisa.
Tentativa-erro-tentativa, nunca vai acabar o amor. Estamos a viver nele e um dia acordamos despejadas. Mas ainda estamos lá dentro. A merda é essa. Não pertencemos áquele lugar, embora ele nos pertença, e depois o que se faz. Não queremos consolo, não queremos bater com a porta, mas ficamos trancadas, com o luto feito e uma tristeza que só se conhece quando vem o vómito e a náusea e o descanso, tudo ao contrário e em câmara lenta, para não haver escapatória.
Fica-se à espera de terapia regressiva, de sinais exteriores, superiores, evocações e nada. Tudo calmo, extraordinaria, aborrecida e inexplicavelmente calmo. Olha-se para ele, sentado, à espera de uma cena, faz-se força, é agora, tens de berrar, gesticular, enxovalhar, senão isto não se justifica, é inadmissível. Leva-se à cena, sai-se com ranho no nariz e a clássica maquilhagem retocada cara abaixo e quase se acredita que será tudo possível outra vez.