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Not quite sun, not quite the moon



Segunda-feira, 13.05.13

A peruca salva-vidas

A minha querida tia-avó, a minha adorada P., tem cancro. Hoje, com uma mama a menos, na véspera do começo da quimioterapia, fui com ela ver perucas, porque o maior abismo de todos, o que lhe tranca a garganta e destrava o canal lacrimal, é a queda do cabelo.
Sim, o cabelinho. Mais mama menos mama, que a gente habitua-se, arranja outra, feita de carne ou de outro material, mas o cabelo. É ela que mo diz, não sou eu a falar de cor. Que os tratamentos e o resto, venha lá o que vier, anda-se para a frente, risca-se mais um dia, o fim à vista, seja lá que fim for. O dos tratamentos, o da vida, vemo-lo sempre, embora andemos todos a brincar à perenidade, embalando os mortos à distância e fingindo que é tudo com os outros. É sempre connosco.
Antes de entrar, eu lutava com a minha franja, mirando-me num espelhinho de bolso, protestando e injuriando o meu secador e a escova e a coitada da cabeleireira que ma cortou.
E a peruca ficou-lhe tão bem.

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por T.


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por Tânia Raposo


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