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Not quite sun, not quite the moon



Segunda-feira, 24.06.13

Mortalidade

[Fotografia de TR]

A verdade e a fé são coisas unas e universais — não existem. Da mesma forma, o amor passa ao lado da tristeza, quando acreditamos que ele anda por aí, solto, fresco, como as pombinhas da catrina, uma é minha, outra é tua, outra é de quem a apanhar.
A língua portuguesa, tal como não pode ser acordificada, não pode revelar-nos transversais e homogéneos substantivos precedidos por essa bomba-relógio que é o artigo definido. Duas maçãs são duas maçãs, duas pessoas são muitas pessoas, às vezes demasiadas, outras, por razia ou desvio colossal, só duas mesmo.
Crescer é uma maneira de perceber isso, por vias mais esconsas, regressando ao artigo definido da infância  que não é, não é o artigo definido da coisa adulta. Há um dia em que a diversidade, que queremos teimosamente tornar uma numa, se transforma no tal artigo definido sem argumentário de acompanhamento, sem explicação em rodapé. Paramos e percebemos que a nossa verdade não tem qualquer ponte que chegue à verdade do outro. E aceitamos, acabam-se as buscas perpétuas de causa, há claridade, e não é mais um efeito conseguido a partir desta ou daquela sequência de actos.
A triste verdade é que o amor só pode viver pela fé.

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por T.


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por Tânia Raposo


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