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Not quite sun, not quite the moon



Terça-feira, 18.06.13

Nidificação

[Fotografia de TR]

Na malinha de rodas, tudo à conta, como me ensinaram os anos de cá e lá, e assim o pau vai e volta e folgam mesmo as costas. A vaidade tomou o necessaire, meti cremes de depois dos 30, máscaras de depois do sol, pinças de antes de mar e sais de dentro da banheira na coisita almofadada, folhinho a rodear o fecho da tampinha. Porque não me fio na virgem e não corro debaixo de trovoadas, enfiei na bolsa  um guarda-chuva e um lenço para fingir de cachecol ou ensaiar Jacqueline Kennedy à borda-d’água. E fui.
Cheguei à terra das seis saias plus one e a coisa estava mui mal parada: céu negro, brisa que só de nome enganava. As gentes lentas no paredão, com as mãos a cara e tudo o que conseguissem enfiado em xailes e casacões, arrastados, rostos tristes. Eu, que tinha trocado a lingerie pelo fato de banho em duas peças, chinela no pé, mergulhei instantaneamente numa agreste depressão. Entrei em raivó-coisó-depressão.
O fenómeno explica-se assim  e não me venham dizer que não sei quantas, as mulheres e os homens rebéubéubéu, pardais ao ninho (ao ninho, ao ninho! bom.) Quando entro em raivó-coisó-depressão arrumo. Coisas, arrumo coisas. Faço esquemas de organização das cenas mais insignificantes que me assistem e tendo a encher sacos de 30 litros com tudo o que me vem à mão — lixo. É por isso que, mais dia, menos dia, tudo em meu redor fica seguro, limpo, estruturado, numa perfeita composição. Mas é por isso que não posso fazer terapia não sei de quê, potes a tilintar e budas com olhos esbugalhados com pauzinhos de incenso a queimar no lugar da pilinha. Eu preciso da raivó-coisó-depressão como de pão prá boca. É de dentro-para-fora- de-fora-para-dentro.
No dia depois daquilo, um sol sem história. Melhor assim.

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por T.


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por Tânia Raposo


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