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Not quite sun, not quite the moon



Sexta-feira, 07.06.13

Começar

A vida pára de continuar. Acontecem, quando crescemos, muitas vidas, que começam com uma cadência tanto maior quanto melhor. Esse melhor, das vidas que nascem, é parido da tristeza, não de uma tristeza que chega feita, mas da que resulta de um entristecimento lento, que tende a cerzir-se com falsos recuos, Penélopes trabalhando arduamente, no meio do pão que a cada dia se põe na mesa, ou do lugar vazio que não ocupa.
É aquilo a que, mais por costume do que com substância, chamamos amor. É o amor em que cremos acreditar, o amor que se palpa na carne, o amor que interrompe o raciocínio lógico que não está na Poïesis, mas que leva nega três, quatro, as vezes que for preciso para que tudo tenha sentido. Decompõe-se o verso, a métrica está errada, a pontuação, tudo, e justifica-se a desfeita, a meada a regressar ao seu estado original — a matemática, os silogismos e a arte da argumentação a nosso lado, firmes.
E só no falhanço dessa ciência do exacto, na lucidez desse entristecimento, paramos de recomeçar. Necessitamos de terra, descasca-se o húmus. E anuncia-se outra vida, pronta a começar.

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por T.


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por Tânia Raposo


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