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Not quite sun, not quite the moon



Sexta-feira, 24.05.13

Papillon

O verão ia quente nos subúrbios parisienses. Eu estava encantada com a estadia, os jardins que o meu pai regava e as baguettes. Era tudo novíssimo.
Tínhamos chegado a terras de Louis e Antoinette num Fiat Uno cinzento, segundo carro da família, que tinha substituído o Renault 5 branco, caracoleta de ralis da aldeia. Éramos quatro passageiros mais um. O condutor nunca tinha ido para lá de Vilar Formoso e ia assistido pela sobrinha co-piloto, teen de mapa e roteiro com parênteses escritos à mão; no banco traseiro, eu, a avó assustada pelos camiões que pareciam ir engolir-nos nas estradas nacionais e a Speed, primeiro amor de quatro patas, o maior, de Humberto, meu pai.
Certa noite, cinco da madrugada. Alarme a tocar. Pai de pijama, sobressaltado, a procurar a farda de segurança, a enfiar as calças ao contrário, esbaforido. Faz os cem metros barreiras da casita do caseiro à casota da portaria, guarda da mansão. Os outros falam, falam, mas para o meu pai é o mesmo que não dizerem nada. Ne parle pas français, rapaziada. Rien.
Divide-se o grupo, indicador em riste para comunicar. Humberto, sozinho, vai formoso e não seguro, mas vai. Ninguém trespassou o muro, o que teria feito o alarme soar? Quando se voltam a reunir, o meu pai vem lá ao longe a dar aos braços, bailarina da primeira hora da manhã, numa elegância que lhe desconhecia. Os jacobinos fazem quá-quá várias vezes. Ele reduz a coisa, só mãozinhas a dar a dar.
Nada. Foi preciso desenhar. Uma borboleta não é bicho fácil de apanhar.

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por T.


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por Tânia Raposo


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