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Quando não se aguenta − no momento não aguento for real do não aguento mais − diz-se a coisa e aí sim, aguenta-se. Aí, meus amigos, é que se aguenta mesmo. Quem joga só no antes disso pode enfiar a viola na caixa e ir cantar sem ela para a freguesia do nosso senhor dai-me paciência.
Vinha a pensar nestas coisas muito profundas e fundadas quando a minha porteira resolveu escandalizar junto às caixas de correio. Ela era toda grandes golfadas, bruços, campeã de mais-de-dez-toques-no-ombro-alheio-enquanto-fala, sericotalho, bacalhau, azeite e alho, amanhã é dia de trabalho. Ah, o escândalo proletário ao lusco-fusco. Ladrões, e a menina, que até tem um posto, não é que seja ladrona, mas tem um posto.
E eu na cena do aguenta, que não aguentas, e agora tens de aguentar. Toma lá que já almoçastes, topastes? − ela não disse, mas pensou, e eu também.