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Not quite sun, not quite the moon



Domingo, 24.11.13

Censier, Croupier

Eram 6h30 e saí para a rua. Levava botas de cano alto, castanhas e bem lustradas, mas parecia que tinha patins. Tinha sido naquela rua que aprendera a rolar nuns, quatro rodas e um travão dianteiro em cada par, uns anos antes. Mas agora, o passeio de alcatrão grená era uma pista de gelo cristalino e caminhar cento e vinte metros seria um desafio; levei-me a bom porto, que é como quem diz, à paragem do bus agarrada ao gradeamento dos jardins, sempre com medo, mas sem nunca paralisar.
Quando cheguei à Rue Censier, subindo as escadas da estação dos anos 30, Paris era uma cidade previsivelmente ensolarada, com pequenas ilhas de verglas a desaparecer. Como sempre, era impossível perder-me, e restava-me uma artimanha muito estúpida: ignorar. Foi o que fiz.
Meia hora depois, estava quase em frente ao Panteão, mas fui obrigada a parar a marcha. Com o dramatismo e o exagero cénico que aquela manhã exigia, fiquei a olhar para a vitrina de um café, através da qual via: uma mulher e duas crianças a comer. Era quase Dezembro, claro. Tão festiva, aquela visão. A distância, sobretudo quando nos mete um vidro pelo meio, transforma todo e qualquer quadro familiar num colorido e vibrante rótulo de Coca-Cola, edição especial de Natal.
Não sei quanto tempo depois, em automático, caminhei. Recuperei-me no momento em que subi de novo os degraus para sair do escuro do metro. Olhei para o relógio e percebi que Madame Croupier, loira e redonda, capitã das oito, condutora da Découverte de La Rome Antique, ia perguntar onde tinha estado outra vez.

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por T.


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por Tânia Raposo


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