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Not quite sun, not quite the moon



Quinta-feira, 19.09.13

Aquela tarde tão azul

C. vinha de azul, flutuava com um vestido rematado a farripas, altíssima, driblando a calçada do Duque. Umas lentes largas, envoltas num dourado brilhante, hastes grossas enfiadas nos caracóis largos abaixo das orelhas, tapavam-lhe dois terços do rosto. Mas via-se felicidade nela, logo aos 100 metros de distância.
Quando se abeirou de mim, como uma mistificação da que conhecia, C. estendeu-me os braços pequeninos e as mãos finas, par dos seus pés 35, e foi o abraço mais feliz da nossa vida só nossa, a comum.
Meses depois, M. apagava-se daqui, fortuitamente, num daqueles destinos cinematográficos que estamos sempre a antever, mantendo ainda assim um semblante expectante  o dos cínicos vitalícios. M. e a claridade dos olhos de S., ambos se abalaram para a única região que podia acolhê-los juntos, em par tão individual — a memória.
E não sei se alguma vez voltarei a apertá-la a apertar-te C. no meu peito assim.

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por T.


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por Tânia Raposo


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