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Not quite sun, not quite the moon



Sexta-feira, 09.08.13

«Be still my heart.»

A cama tem molas que despontaram do colchão, ele embrulha-se, amortalha-se em estágio para as exéquias, e Carminda tem os cílios de penas, as quatro filas deles, colados, remelosos, em remendo fininho, à volta das pupilas dilatadas, aumentando a realidade do cheiro a urina e o detalhe da escara que remata a última vértebra, rente ao elástico da fralda pesada. Ela inspira-expira, num compasso vagaroso, as mãos húmidas, a expelir o medo. Junta-as, às mãos, e despeja uma cantilena antiquíssima, tanto quanto tempo tem de ser gente, que é mais do que a vida deles, mas isso não importava dantes. De cor, Carminda mete para dentro a novena, pára só a engolir a saliva pastosa, que incomoda a rememoração.
Carminda quere-o muito. Qui-lo consigo; roga-lhe: morre, meu amor.

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por T.


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por Tânia Raposo


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