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Not quite sun, not quite the moon



Segunda-feira, 08.07.13

Dá-dá-ismo

«E tu, o que queres da vida?»
Veio assim a pergunta, muito pouco a jeito da moderna questão colocada, uma tendência pouco portuguesa, género import/export dos idos 90. Veio clara como o vinho entornado de três garrafas de branco, solta e escorreita como é de bom-tom, uma vez vertido o líquido para dentro do corpo — deixamo-lo sair em resposta.
Como é costume, fiz uma lista, que incluía o velho e proveitoso capitalismo a permitir a boa manutenção logística e luxo-aqui-e-ali da vida estrutural, familiar, e a culpa é sempre, sempre dos pais.
Mas o que, depois, me ficou cá a encanitar, zumba-zumba, foi a contracção da preposição com (lá voltamos outra vez) o artigo definido: da vida.
A gente quer coisas dela e temos esse preguiçoso e pestilento costume de esperar que a vida nos satisfaça os desejos, esfrega-esfrega-genial, sem que na maioria das vezes mexamos o rabo, as pernas e o resto, sobretudo a cabeça, e não conta abanar o capacete.
A vida é uma dádiva, não uma parturiente de dádivas, tipo quermesse, vá lá, deus das rifas, faz com que me saia o funil amarelo. Façamo-nos à vida, que ela não se faz a nós.

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por T.



por Tânia Raposo


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