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Not quite sun, not quite the moon



Segunda-feira, 01.07.13

Mais vale ter graça

Os 2000 quilómetros que vão de minha casa à dele são os mesmos de há duas décadas. Mas a distância que nos separa hoje pode ser medida pela gramagem de doçaria que em sorte me calhou.
Há 20 anos, trazia-me uma tablete de meio quilo de chocolate, latinhas Mont Blanc, barras de cacau mais modestas e vários sacos de caramelos e rebuçados. Este ano calhou-me uma singela embalagem de Carambar. Vinha dentro de um plástico mauzote, claramente padecendo dos efeitos secundários da road trip anual. Atirou-me aquilo para as mãos e perguntou-me pela vida. Eu, interiorizando com esforço a ideia de lotaria semestral — pela cadência dos encontros e pela substância avulsa que detêm , disse-lhe duas ou três verdades universais, não disse nada, e a seguir falámos da chuva e do tempo e de outras coisas absolutamente fundamentais.

A encenação dessas coisas fundamentais, da sua importância, é uma mentira. Mas sem ela, nada do que de verdadeiro resta poderíamos salvar.
Ontem comi meia dúzia deles só para ler as blagues que são impressas no interior de cada invólucro. E ri-me disto tudo.

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por T.



por Tânia Raposo


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