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Not quite sun, not quite the moon



Domingo, 09.06.13

Civilidade

A civilidade é absolutamente bela e atroz na separação. Não falo de birras, amuos, fogo-de-artifício e loiça em cacos pelo chão. Não falo de gritaria de meia-noite, mão na cara em estalo quente, braços empurrando corpos em concursos de ferro. É de duas pessoas derrotadas, porém lúcidas, já quase prontas para a vida, que a vitória não nos faz capazes de nada. Apartam-se dois pedaços de ossos, carne, sangue, as válvulas a pulsar nas veias, cada corpo num sofá. E a crueza, a clareza do quadro vivo, presépio em redenção, é a cena mais triste, a cena belíssima que ninguém pode contar.

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por T.



por Tânia Raposo


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