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Not quite sun, not quite the moon



Quarta-feira, 29.05.13

Acto de Contricção

Hoje, na margem sul, numa biblioteca quasi-vintage, cheia de rastas, missangas e cabelos crespos, fiquei a pensar nos dois ídolos que perdi. Há coisas  e a minha mãe bem me avisou (mas fui incauta) — que a idade não nos ensina, mas nos obriga a ver. E isso é diferente de aprender.
Há um par ou dois de anos, numa conversa com uma das sexagenárias mais sui generis que conheci (era toda tradição, mas depois isto, aquilo e aquel'outro não seguiam a trave-mestra), escutei a cena popular, com direito a analogia faduncha, dos ídolos de pés de barro. Digo escutei, por que aquilo ficou a modos que a fazer ricochete nas laterais, frontais, traseiras e dianteiras do meu cérebro.
Os ídolos são apetitosos, estrelados e encantados nos posters e nos discos de 78 rotações. Nas cabeças das páginas de um livro. Numa tela com vida a retroprojector. Mas se a gente lhes alcança um braço e se põem a botar faladura. Ou a larachear sobre a nossa concreta vestimenta. Vem o dia F. E não é só aquela treta dos Intelectuais do Paul Johnson, todos maneiristas lá fora, vêm para dentro e arreiam no próximo. Não. O piorzinho, o que acontece no dia F, é que se desfazem da propriedade que os nomeou, desconsubtanciam-se e a gente transforma-se num punhado andante de desilusão.
No final das leituras de hoje, mirando as pessoas verdadeiras, percebi que não há remédio para isso, mas que disso também não tenho precisão. Palavra da salvação. E glória só a nós, senhor.

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por T.



por Tânia Raposo


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