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Not quite sun, not quite the moon



Segunda-feira, 20.05.13

Carla, minha irmã-Carla

Ontem foi domingo e as vésperas soaram só à 01h00, que é a hora do lobo, embora todas sejam, se o nosso coração. Miss Kitty enfiou-se debaixo do edredão cor-de-rosa velho e os meus pés gelaram. No beliche, andar de baixo, sem inquilino superior, abri páginas muito azuis e a circulação começou a atalhar devagarinho.
Com as unhas a marcar a capa dura, agarrada à Bolota e ao Malik, os olhos faroleiros a procurar a história em dois tempos (azul celeste, azul anoitecido), encaixotei a minha bagagem com a daquela família, mudei de endereço com eles, tive vontade de abraçar Blanche para lhe dizer, sem falar, que era aquilo que importava, os membros superiores à volta do corpo, o corpo dela, de Alce Negro antes de gelar, da prole trilógica, onde Bolota ficou para trás. Será?
De carro, por entre fogo, curvas e lembranças entrecortadas da minha infância, fui a lugares onde já tinha ido, sem sequer me aperceber. Chorei copiosamente, houve soluços que ficam a dever tudo à condução da narradora e do seu progenitor, e tive a claríssima percepção daquela noite, que se alumiou.
A Carla tem um dom, cheio de nós e frestas, tem um dom. Irmão Lobo não é um livro para crianças, jovens de idade menor nem categoria nenhuma. Irmão Lobo é um livro para nós, maior e imensurável quando a pessoa é singular, reflexo da viagem das vísceras arteriais que ligam sempre, sempre ao coração.

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por T.



por Tânia Raposo


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