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Not quite sun, not quite the moon



Terça-feira, 07.01.14

Vida

 

A passagem dos anos no canteiro do quintal dos meus avós é a vida. Há dias, abri os álbuns de fotografias e vi que tudo se resumia àquilo, e aquilo era a terra.
Num dos primeiros retratos, ao colo da minha prima, há por detrás de nós duas enormes filas de tulipas amarelas e encarnadas. Tudo é viço. Quando já éramos três e apareceu o primeiro rapaz, fotografaram-nos ao lado das roseiras, mas já se vê a invasão das couves. No dia da absolvição, guarda-chuva aberto e debaixo dele só eu e o casal, seguro a concha do baptismo, e há só um verde triste e escuro atrás. Lembro-me de ela repetir, sem pinga de esperança, ele quer matar-me as flores. Assim foi, naturalmente. Depois de estar morta e bem enterrada, vi-o no quintal a tentar fazer tudo começar outra vez. Nasceram umas rosas raquíticas, que não chegaram à jarra da campa, todos os dias cheia de flores que ele comprava e comprava e comprava. Morreu também, e depois vingou um ramo de plástico.

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por T.



por Tânia Raposo


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