Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Not quite sun, not quite the moon



Sexta-feira, 29.11.13

Da Mãe

Cheira a azeite bom a ferver. O alguidar verde-escuro é o mesmo. Num banco baixo, de tampo lacado e a escamar, escrevi: enrolar numa rodilha e bater contra a pedra para ficar fofo. Depois, na margem, um coração pequeno, com rebites, e um ponto de exclamação. Em cima, o título, em letras cheias: Pastéis de Bacalhau da Avó Albertina. Foi num domingo em que apanhava salsa no canteiro, com os pés descalços na terra, o avô a amolar facas e a avó lá dentro, a rolar os pastéis na frigideira alta, com um comprido garfo de madeira clara.
No domingo passado descobri um papel mais pequeno que aquele, rasgado de um dos blocos de notas que o meu pai transformava em: poemas simples e eloquentes sobre amor; receitas de pólvora caseira em tempo de revolução; listas com números de telefone de moçoilas mindericas.
Uma folha pautada, Coscorões da Mãe. E, de repente, estávamos todos ligados na mesma massa, pela mesma mulher, sentados em redor da mesa branca — o Berto, a Nema e eu, outra vez.

Autoria e outros dados (tags, etc)

por T.


2 comentários

De SusanaFonseca a 30.11.2013 às 22:30

Gostei do blog :) Vou guardar o link e regressar!
Votos de bom fim-de-semana!

De T. a 02.12.2013 às 12:51

Obrigada, Susana! Boa semana.

Comentar post



por Tânia Raposo


Pesquisar

Pesquisar no Blog