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Not quite sun, not quite the moon



Quarta-feira, 20.11.13

Bichos como nós

 

Abrir um buraco com setenta centímetros de profundidade, polvilhar com cal, daqui a um ano e pouco não estará nada lá.
Estava a ver a bola quando o pai ligou. Atendi, eufórica, aos berros, como fazia a avó quando recebia telefonemas do estrangeiro. Lá longe, a octogenária Lili tinha sido adormecida. Emudeci.
A raposinha castanha, de pêlo comprido, tinha saído bebé do barraco do avô para a carrinha do pai. Eu acenei da portinhola de latão: a cadela Lili imigrava também. Era a mais nova de uma ninhada, a última das criações do avô.
Parecia um boneco de corda, a Lili. Precisava sempre que estivesse alguém por perto para se mexer. Nisso, ela e o pai tão iguais. Mas para Lili, a sorte grande, chamada pai; para ele, só a terminação.
Foi nisso que pensei ontem, quando não queria, não queria pensar.  

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por T.



por Tânia Raposo


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