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Not quite sun, not quite the moon



Quinta-feira, 14.11.13

Caçar com cão

A vida amoral dos momentos felizes e os bichos que somos, quando num genuflexório olhamos a Senhora dos Rochedos, milagreira, carnes refegadas debaixo do manto, e queremos as mãos de novo juntas, para penitenciar. Ao fundo erguem os tubos do órgão prateado, com cordas. Do lado direito, a funcionária do edil empilha pagelas numa banca triste. Queria chegar-me ao menino do retábulo, mas naqueles santos não há como tocar; corre uma fita encarnada à volta, criando um corredor novo e esquisito, artificial. Quero acender uma vela, não tenho moedas para as pisca-pisca. Lembro-me das joelheiras de cabedal e de um pé com dedos gordos a queimar devagar, vem-me o cheiro daquilo e fico a olhar para as coisas pequeninas e eléctricas, chama a tremer em ritmo certo e tempo certo e está tudo certo, limpo, e de qualquer maneira vi o letreiro, fecha às cinco, não posso ficar aqui.

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por T.



por Tânia Raposo


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