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Not quite sun, not quite the moon



Quinta-feira, 07.11.13

Responso a Bau-Bau

Bau-Bau tinha pêlo muito azul e gostoso. Era cão de orelhas caídas, longitudinais; olhos pretos, órbitas plásticas, nunca sabia para onde estava a olhar — olhava tudo. O seu estado natural, sentado, Bau-Bau não se tinha em pé. Debaixo da manta minderica, ele e eu, afastando as responsabilidades dos sonhos e aquela luz acesa que paria coisas disformes na parede com os pais no corredor.
Um dia, com as tripas de esponja a ameaçarem a finíssima trama de linha branca que eu enfiava nos dentes de leite, Bau-Bau foi fazer uma longa viagem. Apareceu-me pingão no arame, uma triste semana volvida, um vidro a separar-nos.
Como mais tarde percebi numa carteira da escola, a gente aprende a demasia, e os pais só nos mentem uma vez.

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por T.



por Tânia Raposo


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