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Not quite sun, not quite the moon



Segunda-feira, 04.11.13

A falácia de Lili

Não me lembro de ter enterrado um único morto. Quando os terrões caiem, atirados por um mecânico-coveiro em pazadas cheias, com despacho, é um vivo que está lá em baixo, dentro do mogno, do pinho, com a invariável cruz. E isso é um grande problema. Para mim, que ainda não morri, o maior de todos.
Finados da minha vida, seres vagarosos, como as lesmas gordas e pretas e viscosas, enormes, que vi no Gerês aos onze anos de idade e nunca mais esqueci. Rezam-se missas, abate-se a terra, uma fotografia em ocre, e continuam a morrer.
A estocada final, no pescoço, com uma faca bonita, aplico-lha eu, e é como se a minha avó estivesse a matar as galinhas lá fora outra vez.

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por T.



por Tânia Raposo


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