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Not quite sun, not quite the moon



Quinta-feira, 08.08.13

Da tristeza destes dias

A gente habitua-se às demissões, à fantochada, aos comícios em sede imprópria, a ver Pedro & Laura em trajes menores no areal. A gente aprende a conviver com o inenarrável cartaz do candidato de nariz reluzente — indício de Pinóquio em gestação na coisa pública , a aguentar Ulrichadas, pobrezinhos de espírito a brincar às elites. Escol, é bom lembrar, nunca esquecer Pessoa, é coisa que não existe verdadeiramente em Portugal.
Mas a gente vai abaixo, a gente cai num esmorecimento doído, quando pergunta à senhora do café qual a razão para o seu súbito chururu, bochechas murchas e olhos baços, e escuta: «Estou triste por ir de férias.» Porque no tempo, não muito distante, das vacas gordas e sorridentes, a casa não fechava, ou, se se punha o papelito com um sol de ClipArt a alertar a clientela sobre o descanso merecido do pessoal, ia-se embora contente, consolado, trabalho feito, dinheiro contado, assunto arrumado.
Como se sobrevive a isto para depois ver se ainda vale a pena? Não sei.

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por T.



por Tânia Raposo


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